Pequenos Erros Meus

sexta-feira, 23 de março de 2012

Sobre a americanização que tanto parecemos amar

Americanização. De acordo com o Wikipédia, “é o termo empregado para descrever a influência que os Estados Unidos exercem sobre a cultura de outros países, resultando no fenômeno da substituição de uma determinada cultura pela cultura estadunidense.”

Uma palavra que exprime a força que os modos americanos têm exercido sobre os outros países. Nós falamos sua língua (o inglês), comemos seus alimentos (fast-foods) e até utilizamos seus produtos (Apple, Microsoft etc). A forma de vida dos norte-americanos tem sido muito copiada por boa parte população mundial. E um exemplo disso é a maneira como agregamos informações e buscamos estilizar quase tudo que temos dentro deste padrão, como as webs.

Hoje em dia, se buscarmos dentro das comunidades onde estas são postadas, entraremos em um “mundo” completamente diferente do que conhecemos. Os enredos são formados e colocados com situações e pessoas na parte norte do continente; são jovens estudando em high schools com líderes de torcida; mulheres trabalhando em enormes edifícios em grandes metrópoles americanas; rapazes chamados John, Liam ou Matthew e meninas com os nomes Mary, Amber, ou Ashley, entre tantos outros exemplos.

É um fato consumado que os Estados Unidos parecem ter feito uma lavagem cerebral em todos nós. Se você for a uma escola e perguntar quem é Stephenie Meyer, todos saberão que ela é a autora de Crepúsculo. Mas se questionar aos alunos quem foi Gonçalves Dias, provavelmente terá uma classe cheia de interrogações plantadas acima de suas cabeças. Afinal, se mal lemos o que é feito pelos autores contemporâneos de nosso país, que dirá conhecer um poeta que viveu no inicio pro meio do século XIX.

Estamos nos tornando uma geração sem cultura e não adianta apontar o dedo para uns ou outros, pois a culpa é de toda a população (quase toda, talvez). Nós fechamos a porta para mais de 90% do que é nacional e depois reclamamos que a literatura brasileira não é valorizada em nosso próprio país.

Agora eu te pergunto: quantos livros de autores nacionais, sejam eles clássicos ou não, você já leu durante a sua vida? Já ficou em dúvida em uma livraria, segurando um livro de autor nacional e um americano, do mesmo gênero e levou o segundo, pois era um best-seller? Quantas webs vocês já leu/escreveu que se passassem no Brasil, não importasse o gênero que elas fossem? Se suas respostas foram: a) 0; b) sim; c) 0; eu sinto em lhe dizer, mas… você foi americanizado!

É engraçado quando tratamos um assunto de tal importância da forma mais banal possível. Até porque, no momento em que permitimos tanto que um país entre em nosso lar, estamos abdicando um pouco mais da nossa própria cultura. Admitir não é fácil, mas nós realmente desvalorizamos tudo que nos pertence, que é o nosso patrimônio. E o pior: é um ciclo vicioso.

Quanto mais desistimos do que é brasileiro, mais permitimos que o que é de fora entre, e assim, o mercado nacional se adequa, deixando de lado o que é nosso, então, sem apoio e com os produtos americanos sendo esfregados em nossas faces, voltamos para o fator um.

Não adianta falarmos tanto sobre as editoras não nos darem uma chance, se nós não o fazemos antes. Além disso, me pergunto como pode ser mais fácil você escrever uma história em um lugar que jamais conheceu (em alguns casos) do que uma que se passe na sua rua. E nem adianta falar que o gênero não vai se adequar; nós o adequamos.

Um exemplo do quanto podemos adequar o sobrenatural (no caso, vampiros) é o autor brazuca André Vianco. Quem já leu qualquer um de seus livros (eu li apenas “Os Sete”, por enquanto…) pode dizer que ele não deixa nada a desejar em relação aos escritores no mundo afora (aliás, chega a ser até mais interessante do que outras obras internacionais).

Se você julga impossível criar uma história com uma temática não muito comum para o país, dentro dele, eu só lamento. Com um pouquinho de criatividade e bom senso, é fácil esquematizar enredos, seja nas nossas metrópoles ou no interior, afinal, lendas tem todos os lugares; romances, risadas, problemas, mortes, entre outros, também.

E lembre-se: não é por que se passa no Brasil que ele se torna automaticamente inferior aos outros livros. Recado dado…

Read More

Seja bem vindo!

Para mim, as palavras são mais do que uma diversão passageira. Elas são isso e, quando querem, também são meu ponto de apoio; a forma que encontro de me expressar da maneira necessária. Um dos poucos modos que o ser humano tem de se descobrir. Afinal, quem somos nós sem a palavra?
Escrever é transpassar as barreiras que os sentidos nos impõem. Lutar contra seus demônios com a mais incrível capacidade de se libertar.
Meu nome? Incógnita.
Bem vindos ao meu mundinho cheio de erros...
Read More
Tecnologia do Blogger.

© Pequenos Erros Meus, AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena